Cultura e sociedade

Por Alecsander Tatagiba*

Produzir coisas relacionadas à cultura contribui de que forma para a sociedade? Talvez no sentido de permitir algo diferenciado ao que se convenciona denominar projetos sociais, que podem por vezes não ultrapassar uma atividade mais próxima do bom-mocismo ou do politicamente correto.

Como então sair desse embaraço? O que deve ser prioridade? Soluções sociais relacionadas à questões mais à vista no que se refere a uma mais fácil identificação e constatação como por exemplo combate à violência, erradicação da fome e erradicação de doenças ou possibilidade de saída para um universo onde tais questões são colocadas e compreendidas por outra perspectiva?

A questão surgida disto relaciona-se em procurar descobrir qual o real papel da cultura em meio ao redor dela própria. Parece uma redundância devido aos termos utilizados parecerem possuir o mesmo sentido e significado. Deve mesmo a cultura retratar o universo mais próximo e mais imediato ou deve ela superar seus próprios horizontes buscando em outros meios fazer se valer enquanto perspectiva e possibilidade de inserção em qualquer ambiente por mais estranho que lhe possa ser? A pergunta que se segue disto nada mais é do que a seguinte: pra que Cultura? Qual seu propósito, qual sua finalidade? Cultura não é entendida aqui enquanto apenas consumo de cultura, mas sim como elaboração de uma cultura evitando a demasiada reprodução de cultura e uma maçante (no sentido de quantidade) e “massante” (no sentido de manipulação para se atingir o maior número de pessoas) produção de cultura.

A saída para tal talvez possa passar pelo vivenciamento da e na cultura. Como é isto possível? A partir de uma inauguração de um modo de se proceder perante a cultura fundamentado no relato oral e não apenas em documentações. Em outras palavras, a cultura livresca estaria dentro desta perspectiva em segundo plano, mas nem por isso desvalorizada.


Voltamos ao questionamento inicial. O que se segue disto que foi mencionado anteriormente parece uma contestação do modo como o mundo acadêmico lida com questões a princípio desligadas e destoadas dele devido ao seu fechamento em si mesmo, transparecendo o fosso existente entre o mundo acadêmico e o mundo real e dos “meros mortais”. Talvez isto possa ser considerado uma crítica, porém uma crítica fundamentada primeiramente em uma análise e não em uma noção de ataque.

Deve mesmo a cultura estar amarrada e presa a uma instituição com visibilidade maior do que ela mesma? Deve mesmo a cultura estar submissa a uma instituição detentora de uma possibilidade maior e mais rápida para divulgar os resultados do desmembramento de suas atividades. Em outras palavras, será mesmo correta uma espécie de “Fábrica de Cultura”?


* Este texto publicado na Revista "De bem com a Vida" Edição de Julho de 2009 e no site "Overmundo" em Agosto de 2009.

0 comentários:

Postar um comentário

Política, literatura, artes e cultura em geral