Um discurso lógico de uma lógica do discurso

Por Alecsander Tatagiba*

O discurso é lógico. É isto a lógica do discurso? Caso não, o que pode ser considerado um discurso lógico? E quais as possibilidades da lógica deste discurso? Sim, deste discurso e não de outro. A necessidade deste discurso. Este e não outro. Um discurso definido e lógico? Sim. A definição de um discurso. Este discurso. É lógico que o discurso é lógico, bem como a lógica deste discurso é possível visto que já se afirmou a necessidade deste discurso. Este discurso já encontra-se definido e lógico? Caso sim, e devido a isto e necessariamente por isto é que ele é lógico?


Não é lógico que o discurso tenha necessariamente que ser lógico? Caso não seja lógico, o discurso deixa de ser lógico passando a não mais ser discurso? Caso o discurso não seja mais discurso, qual a lógica disto?

Tendo o discurso deixado de ser discurso, o que é então o discurso? Uma definição do que não é um discurso. Definir o que uma coisa é, partindo do que esta mesma coisa não é. Afirmação fundada numa afirmação de uma negação desta mesma afirmação. É lógico? É correto? Corrigir de modo lógico um engano lógico de uma lógica. Está correto? Corrigir um engano lógico é lógico dentro desta lógica? E que lógica é esta? A lógica do engano. Tal lógica corrigida supera o engano lógico anterior, voltando ao discurso definido a partir de uma definição do que não é discurso. É correto ou um erro de um discurso definido como discurso e corrigido de modo lógico dentro de um erro lógico dentro de uma lógica?

* Texto Extraído de "Pequenas Considerações Lógicas", de Alecsander Tatagiba. Escrito em Outubro de 2008 e publicado no site "Overmundo" em 17 de Agosto de 2009.

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